Ao percebemos, já foi. Quando nos damos conta, nada mais a fazer, o estrago já está consumado. Como é difícil a convivência humana. Nossa limitação primitiva é facilmente percebida na menor variação de tempo, pressão e temperatura. Diria que, quase nunca estamos preparados, pra lidar com todas afetações as quais somos submetidos diariamente. Vida pessoal, questões profissionais, trânsito e tantos outros, são sempre grandes obstáculos a desafiar nosso equilíbrio físico e mental. Nesse contexto, existirá sempre a possibilidade de alguma atitude mais impulsiva, menos racional. É quando cometemos erros. Alguns deles com consequências irreparáveis. Metaforicamente falando, é aquele prego na cerca de madeira. Você bate, ele fere e deixa a marca, mesmo que consiga retirá-lo, nada volta a ser como era antes. Desculpas e perdão, tem sua valia. São até necessários. Mas não promovem a cura total. Falo por experiência própria. Já fui vítima e vilão. Em momentos de infelicidade pura, irracionalidade plena, minhas bombas de efeito moral causaram irremediáveis estragos. Incrível constatar que, quase sempre o arrependimento vem a galope e o abalo se dá em quem atira também. Ofender uma pessoa querida num momento de raiva, se posicionar com indiferença perante a quem espera de você amabilidade e alguma reverência, costuma provocar efeito devastador naquela relação. E aí, pouco importam os motivos.
Do meu ponto de vista leigo, não há o que se fazer. É da natureza humana cometer atos de impetuosidade. Entendo, com alguma resignição, que depositar em alguém uma confiança plena, criar sobre as pessoas perspectivas demasiadamente grandes e fazer de seu par, uma tábua de salvação incondicional, tende a ser uma escolha, uma aposta de altíssimo risco. Insisto, não há muito o que se fazer. Ninguém está a salvo de se decepcionar. Estamos também, na mesma medida, sujeitos a atos de agressão contra aqueles que queremos bem. A única forma capaz de nos proteger desses deslizes, seria uma vida de isolamento total. Mas isso, considero impossível. Por um tempo, talvez até se consiga algum distanciamento, mas isso não se perdura eternamente. Como já foi dito aqui, viver é um eterno dilema.
Talvez seja perda de tempo, tentar encontrar algum entendimento sobre essas circunstâncias cotidianas. Mas, mesmo reconhecendo minha incapacidade de compreensão, não deixa de ser tudo muito intrigante. Vivemos um eterno círculo vicioso de "bater e assoprar". Com tudo isso, só me resta constatar que, aprender a juntar cacos, é um exercício que devemos depreender com alguma frequência.
São extremamentes peculiares as características de nossa condição humana. Nem sempre são tão positivas, como poderia sugerir nossa preciosa e exclusiva faculdade de raciocínio.
Abraço.

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